17 de out de 2014


A necessidade (ou não) de namorar


Depois de namorar por seis anos e estar solteira a quase dois, fui questionada há alguns dias: “você não sente falta de ter um namorado?”. A resposta foi um convicto não.  Apesar da resposta certeira, refleti sobre a questão, “porque as pessoas sentem necessidade de ter alguém para chamar de seu?”. Muitas respostas surgiram, me senti em um momento “brainstorming” sobre o assunto. Pois é, uma tempestade de respostas passaram pela minha cabeça me dando ainda mais certeza da minha e dos problemas de personalidade e autoconfiança das pessoas que sentem essa necessidade.
Ainda que um pouco confusa, tenho algumas certezas sobre o assunto. Primeiramente a relação dessa necessidade está totalmente ligada falta de autoconfiança, independência e personalidade do indivíduo. Comecei a namorar aos 16 anos, minha personalidade não havia se formado por completo, foi se formando ao longo da relação (seis anos). Ou seja, minhas opiniões e escolhas sempre tinham um dedinho dele, não por imposição, mas talvez por convívio ou indução. A famosa crise dos sete veio com antecedência e nos pegou em cheio.

Uns dias ali atrás
Ele havia ido fazer um intercâmbio em outro país no meio do ano e eu o encontrei no fim do mesmo ano. Quando ele embarcou parecia que alguém da minha família havia morrido, sofri demais, chorei dias e noites, achei que não sairia de casa até a ele voltar. Ledo engano. Fiz muitos amigos, fui para muitas festas (ele não gostava) e fui muito feliz ao me descobrir pouco a pouco. Ao encontrá-lo, eu já sabia quem era eu, ele já não sabia mais, estava confuso, e eu? Muito certa de quem eu era. Mudei, mudei muito, me transformei. Deixei de ser parte dele para ser eu mesma.
Nada como visualizar questões tendo nós mesmos como exemplo, foi assim que não demorei muito para organizar minhas idéias sobre a necessidade de ter alguém para chamar de seu, vulgo namorado. Eu era alguém carente, insegura e sem uma personalidade definida. Aos 14 anos tive meu primeiro namorado, durou dois anos e ao fim prometi a mim mesma que iria viver, que era nova demais para isso de namorar. Não demorou dois meses conheci o próximo, namorei mais seis anos. Como nos clichês de alcoólicos anônimos ou coisas do tipo, posso dizer com convicção que, “hoje vivo um dia de cada vez”.

Hoje. . . 

Hoje sei quem eu sou. Uma pessoa segura, cheia de personalidade, determinada e que não quer transformar qualquer um em namorado por carência. Hoje quero alguém que goste do que gosto, que me aceite como sou, que não tenha ciúmes dos meus amigos ou dos meus momentos individualistas. De preferência alto e tatuado, mas sabe como é beleza não põe mesa, personalidade forte e um bom coração já me conquistam com facilidade. Hoje faço o que tenho vontade sem pedir por favor ou obrigada, não tenho crises existenciais e muito menos de relacionamento. Hoje mais do que nunca sei quem eu sou e não, não sinto falta de um homem para chamar de meu.
Sinto sim de um homem para fazer cafuné, dormir de conchinha, levar para jantar, ir ao cinema, à praia, caminhar na lagoa ou andar de pedalinho. Mas quem disse que para isso ele precisa ser meu namorado? Pode ser meu amigo, meu conhecido, meu irmão, meu primo, meu ficante, meu vizinho. Pessoas que eu amo me completam e quando eu encontrar alguém por quem meu coração bata mais forte, talvez eu sinta falta de ter um namorado, ele. 

Por: Stephany Muzi
http://instagram.com/stephanymuzi

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