25 de abr de 2017


Resenha: Cazuza - Só as Mães São Felizes


Sabe aquele livro que você começa a ler e não consegue dormir até terminar?

Eu gosto desse tipo de livros biográficos, e amo as musicas e vibes dos anos 80, acho inclusive que nasci (quase) na década errada. O livro que eu vou falar hoje tem esse mix de sentimentos e é carregado de boas e tristes historias daquele que é considerado um dos maiores poetas de sua geração, e eu diria mais, até hoje.



O livro é contado em depoimento à escritora também biógrafa de Elis Regina e da Princesa Isabel, por Lucinha Araújo, 'Cazuza - Só as Mães São Felizes' (editora Globo Livros), teve sua terceira edição lançada em 2016. Lançado em 1997, o livro é um olhar de Lucinha sobre a vida e a carreira de seu filho, que faleceu em 1990, em decorrência da aids, aos 32 anos.

O livro que um é best-seller, teve sua orelha escrita por Ezequiel Neves (1935-2010), um dos grandes amigos de Cazuza e também produtor musical do Barão Vermelho, banda que lançou o poeta. "A gente chora, ri, mergulha em paraísos de paroxismos e emoções maravilhosamente irremediáveis", escreveu Zeca, como era conhecido, na publicação. Em 2004, o livro foi inspiração juntamente a novas memórias de Lucinha, para o filme 'Cazuza - O Tempo Não Para', de Daniel Filho e Sandra Werneck, com Daniel de Oliveira no papel do ídolo e Marieta Severo como sua mãe. O longa levou quase 3 milhões de espectadores aos cinemas, e sem dúvidas nenhuma foi a melhor interpretação já feita não apenas da historia do músico e compositor, mas Daniel de Oliveira sem dúvidas roubou a cena.


O livro começa a ser contado pelo seu fim, porém toda historia precisa de seu começo, e de uma forma bem trabalhada visitamos o passado a partir da historia de seus pais. Assim começamos a ver, o nascimento e o crescimento de um garoto com a educação exemplar se transformar em um jovem de ações impensadas e conturbadas, com conseqüências trágicas a sua própria vida.

O fato é que se este livro não fosse uma história verídica seria muito melhor. Mas infelizmente as coisas nem sempre sai como queremos! Ao mesmo tempo em que você ler percebe que Cazuza viveu a vida que queria por que os pais consertavam tudo que ele fazia, você percebe a luta e dor dos pais por não consegui educá-lo como tentavam e ter que ver ele se acabando e não poderem fazer nada, alias, fizeram mais que o possível e ainda assim o final nós já sabemos. Cazuza morreu com 38 quilos, em um tempo onde a AIDS era uma incógnita até mesmo para os médicos. Não existia nenhum conhecimento da causa, e muito menos recursos suficientes no Brasil para tal problema. Seus pais lutaram aqui e fora do país para fazer o que era possível, o que infelizmente não deu jeito.


O livro conta quase que detalhadamente cada fase de Cazuza, com depoimento de amigos, artistas e familiares. Tem uma edição perfeita ao texto, com fotos e registros incríveis desse poeta que tem sua obra em alta até hoje.

Como amante da obra do Cazuza e do trabalho realizado pela Lucinha, na minha primeira viagem a cidade do Rio de Janeiro fiz questão de conhecer a Sociedade Viva Cazuza e posso dizer que foi uma experiência inenarrável. O cuidado e o carinho vindo daquelas crianças são como uma tapa na sua cara. Eles sem dúvidas são guerreiros que tem muito a nos ensinar diariamente, e não só pela limitação de saúde, mas como viver normalmente em uma sociedade preconceitos e com toda a limitação financeira que a casa encontra mensalmente.

Com toda certeza esse livro merece sua leitura e a causa, toda a sua atenção. Hoje a AIDS tem jeito. Cuide-se, previna-se! 

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